Universidade, empresas, municípios e instituições reuniram-se no Fórum Regional de Ciência e Inovação para discutir estratégias de cooperação, internacionalização e transformação territorial, no horizonte UPCB 2030.
A Universidade Politécnica de Castelo Branco (UPCB) promoveu o I9TEC’26-Fórum Regional de Ciência e Inovação, uma iniciativa que reuniu os principais agentes da Beira Baixa para refletir sobre os desafios e as oportunidades de desenvolvimento do território.
O encontro aproximou Universidade, empresas, municípios, instituições regionais e sistema educativo, incluindo escolas secundárias e profissionais, alargando a cooperação tradicional entre Universidade, empresas e poder público à formação e mobilização do talento regional.
Mais do que promover o debate, o I9TEC’26 procurou criar condições para uma maior articulação entre os diferentes parceiros, reforçando a importância de transformar conhecimento, recursos e capacidades existentes em projetos concretos, com impacto na competitividade e na qualidade de vida da região.
Empresas e Universidade mais próximas
A relação entre conhecimento científico e atividade empresarial esteve em destaque na mesa-redonda “Tecnologia e Indústria: Como Inovar para Competir e Criar Valor no Território?”.
A sessão contou com a participação de empresas dos setores da engenharia, tecnologia, telecomunicações e indústria, nomeadamente a MECALBI Engineering Solutions, EVOX Technologies, AXIANS Portugal Group, ALLBESMART Telecom Engineering Company e BIOTEK, tendo sido moderada por Alexandre Caldas, da Associação Industrial Portuguesa.
A discussão centrou-se na necessidade de aproximar a capacidade científica e tecnológica das necessidades concretas das empresas, promovendo a inovação, a digitalização, a qualificação, o desenvolvimento de produto e o acesso a novos mercados.
Neste contexto, a UPCB assume-se como parceira de inovação do tecido empresarial, colocando à disposição das organizações as suas competências científicas, laboratórios, unidades de investigação, docentes e estudantes.
Cooperação internacional como oportunidade de desenvolvimento
A internacionalização constituiu outra dimensão relevante do fórum. A intervenção de Bernardo Mendia, secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, permitiu explorar as oportunidades de cooperação com a China, numa perspetiva empresarial, científica e universitária.
Entre as possibilidades identificadas encontram-se a aproximação das empresas regionais a novos mercados e parceiros tecnológicos, a realização de missões empresariais, a mobilidade de estudantes, docentes e investigadores, a formação conjunta e o desenvolvimento de projetos de investigação e inovação.
Esta abertura internacional representa também uma oportunidade para reforçar as redes de conhecimento e criar novas condições para a valorização económica e científica da região.
Uma agenda comum para a Beira Baixa
O futuro do território esteve no centro de duas sessões de reflexão: «Beira Baixa: Como Transformar Conhecimento em Riqueza e Qualidade de Vida?» e “Territórios com Futuro: Que Agenda Comum para Inovar e Prosperar?”.
A última reuniu a UPCB, a CCDR Centro e os municípios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão, colocando em discussão a necessidade de articular políticas públicas, investimento, conhecimento, formação e especializações produtivas.
O objetivo passa por evoluir de iniciativas isoladas para uma lógica de portefólio regional de projetos, assente em parcerias, mecanismos de concertação e objetivos partilhados.
UPCB 2030: infraestruturas ao serviço da transformação territorial
A visão “UPCB 2030-Infraestruturas para a Transformação Territorial” enquadra os investimentos da Universidade numa estratégia mais ampla de desenvolvimento regional.
No Campus da Talagueira, estão em perspetiva o reforço das infraestruturas da Escola Superior de Artes Aplicadas, designadamente na área da Música, a ampliação da Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias e a criação de melhores espaços de aprendizagem, investigação e vida académica.
A estratégia contempla igualmente a criação de um Centro de Rendimento Desportivo, em articulação com o Município, clubes e associações da região. A ambição é desenvolver um espaço de investigação aplicada, desempenho desportivo, saúde, atividade física e envelhecimento ativo, complementado pelo reforço das competências e estruturas académicas da área do Desporto.
Na Escola Superior de Educação, destaca-se a perspetiva de criação de um Centro de Formação Avançada, orientado para o desenvolvimento de mestrados, doutoramentos, microcredenciais e formação ao longo da vida, em articulação com as necessidades das empresas e instituições.
Por sua vez, no Campus de Nossa Senhora de Mércoles, a ambição passa pela construção de um centro de ciência e inovação, através da articulação entre a UPCB, o CATAA, o InovCluster, o CEI, as unidades de investigação da Universidade e o Centro de Biotecnologia de Plantas da Beira Interior.
A sustentabilidade agroalimentar e ambiental, a biotecnologia, a agricultura digital, a floresta, o turismo e a gastronomia constituem algumas das áreas com potencial para reforçar a especialização e a valorização dos recursos endógenos da região.
Do debate à concretização
O I9TEC’26 reforçou a importância de uma Universidade comprometida com o território, que contribua não apenas para a formação de profissionais qualificados, mas também para a inovação empresarial, a capacitação institucional, a transferência de conhecimento e a valorização das comunidades.
A continuidade deste trabalho deverá traduzir-se numa agenda de execução até 2030, com projetos estruturantes, parceiros definidos, modelos de governação, financiamento, metas e calendários.
A mensagem central do fórum é clara: o futuro da Beira Baixa constrói-se através da capacidade de mobilizar e articular pessoas, conhecimento, empresas, instituições e infraestruturas em torno de objetivos comuns.
Veja o álbum dos 3 dias da iniciativa.
02/11/2026